SOMETHING FOR NOTHING



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TEARS  SOMETHING FOR NOTHING  A FAREWELL TO KINGS


SOMETHING FOR NOTHING

Waiting for the winds of change
To sweep the clouds away
Waiting for the rainbow's end
To cast its gold your way
Countless ways
You pass the days

Waiting for someone to call
And turn your world around
Looking for an answer to
The question you have found
Looking for
An open door

You don't get something for nothing
You don't get freedom for free
You won't get wise
With the sleep still in your eyes
No matter what your dreams might be

What you own is your own kingdom
What you do is your own glory
What you love is your own power
What you live is your own story
In your head is the answer
Let it guide you along
Let your heart be the anchor
And the beat of your own song
ALGO DO NADA

Esperando os ventos da mudança
Varrerem as nuvens para longe
Esperando o fim do arco-íris
Lançar ouro em seu caminho
De incontáveis maneiras
Você passa os dias

Esperando alguém para chamar
E transformar seu mundo ao redor
Procurando por uma resposta
Para a pergunta que você encontrou
Procurando por
Uma porta aberta

Você não consegue algo do nada
Você não consegue liberdade de graça
Você não será sábio
Com o sono ainda em seus olhos
Não importa quais sejam seus sonhos

O que você possui é seu reino
O que você faz é sua glória
O que você ama é seu poder
O que você vive é sua história
Em sua cabeça está a resposta
Deixe que ela lhe guie adiante
Deixe seu coração ser a âncora
E a batida da sua própria canção


Música por Geddy Lee / Letra por Neil Peart


Levante-se, viva os seus sonhos e deixe sua marca

"Something For Nothing", um estonteante exercício de alterações de ritmo e velocidade, é a canção que conclui o grande clássico atemporal 2112. Ecoando altas doses de concisão e arranjos ousados, a composição traz uma letra inspiradora e grandiosa, uma verdadeira joia heavy rock. Escrita por Geddy Lee e Neil Peart, seu tema, que aproxima-se da composição anterior "Lessons" de Alex Lifeson, aborda novamente elementos como autoconfiança, iniciativa e não conformismo, características verdadeiramente marcantes na até então curta e nascente carreira da banda. 2112 se encerra, portanto, com uma das declarações mais categóricas e audazes de propósito já gravadas pelos canadenses, uma inapelável chamada à ação.

Como em outros momentos do disco, "Something For Nothing" traz mais uma vez a presença de um belo violão de doze cordas em sua introdução, iniciando uma sequência harmoniosa que acompanha uma base sutil de guitarra em overdub. As frases de baixo inseridas por Geddy no primeiro verso trazem investidas vocais momentaneamente absortas, seguidas pelas pontuações acuradas e características do grupo numa ponte onde a melodia da voz, agora terrivelmente cortante, acompanha os instrumentos. Aqui a peça ganha peso e intensidade arrebatadores, potencializados por um solo implacável executado por Alex Lifeson. Ainda há tempo para uma nova sequência efusiva, com o aparato sendo finalizado em outro solo ardente em fade-out, concluindo a canção e o álbum que levaria o Rush a uma nova e importante fase em sua mágica caminhada.

De acordo com Neil Peart, a banda se dirigia para uma apresentação no Shrine Auditorium em Los Angeles (EUA) em meados da década de 1970, quando o baterista percebeu um grafite numa parede com a frase "Freedom isn't free" ("A liberdade não é de graça"), decidindo posteriormente adapta-la a letra de "Something For Nothing". Na canção, Peart declara que nada é fácil na vida, e que devemos, além de trabalhar duro, acreditar em nós mesmos com determinação para alcançarmos a conquista dos nossos sonhos.

"O tema central desse álbum era a individualidade, uma declaração apaixonada que dizia, 'Deixe-nos em paz, estamos bem, e ainda iremos progredir'", diz Geddy.

"Todos aqueles louvores à inquietude americana e as estradas do país carregam uma pontinha de melancolia, um reconhecimento das privações de uma vida errante, a noção de que a sede por viagens poderia ser involuntária, mas que exilava tanto quanto dava liberdade, e de fato a compreensão de que a liberdade não era de graça", afirma Peart. "Em meados dos anos de 1970, a banda seguia para um show no centro de Los Angeles, mais precisamente no Shrine Auditorium, e eu notei um grafite com tintas escorridas em um muro que dizia, 'Liberdade não é de graça'. Decidi adaptar nessa canção de 2112".

O ponto principal da canção prioriza que o indivíduo deve ser guiado exclusivamente pelo seu interior na busca por seus sonhos, até que estes se tornem realidade. Dessa forma, "Something For Nothing" celebra a força do ser humano e suas capacidades. Não se trata de uma espécie de rebelião gratuita e irresponsável contra tudo e contra todos, mas a importância da compreensão do que realmente queremos e a postura firme na defesa de nossos ideais. A composição é finalizada com uma clara alusão à doxologia de encerramento da Oração do Pai Nosso. A Tradução Ecumênica da Bíblia Cristã observa que alguns manuscritos acrescentam o epílogo, "pois teus são o reino, o poder e a glória para sempre", e na canção seus elementos são replicados: você procura seu próprio reino, a sua própria glória, o seu próprio poder e sua própria história.

"Something For Nothing" ecoa outro importante exemplo do individualismo nas canções do Rush, revelando-se numa abordagem absolutamente motivadora. Os valores da autossuficiência e da responsabilidade sobre si mesmo são urgentemente expostos, e a inércia é duramente criticada. A canção de encerramento é, certamente, uma das mais destacadas do álbum, e fato da banda proclamar aos ouvintes para que estes tenham sonhos e que sejam ousados o suficiente descreve perfeitamente a própria ética da banda.

"Em nosso período mais pesado, excursionávamos durante sete meses do ano e gravávamos durante dois meses", diz Geddy, lembrando o clima árduo antes de 2112. "Foi difícil, mas sentíamos que era necessário passar por aquilo, pois não conseguiríamos a exposição que desejávamos de outra forma. Além disso, adoramos tocar, e que maneira melhor de aprender seu oficio, refinando constantemente o que você faz?"

© 2014 Rush Fã-Clube Brasil

BANASIEWICZ, B. Rush Visions: The Official Biography. Omnibus Press, 1987.
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CLASSIC ROCK PRESENTS: RUSH CLOCKWORK ANGELS. Classic Rock Special Edition. June 11, 2012.